Thursday, June 20, 2013

A Nigéria na Bahia é a Bahia na África



Vamos Nigéria! Hoje é o dia em que toda a Bahia Negra é Nigéria!

Líder do grupo que conta ainda com a poderosa Espanha, a Nigéria encara o Uruguai nesta quinta-feira, às 19h, em Salvador, para confirmar sua vaga na próxima fase da Copa das Confederações sem depender do confronto contra a atual campeã do mundo. Para isso, a equipe africana conta com o "ar negro" da capital baiana, tradicionalmente conhecida pela ligação de seu povo com as culturas africanas que formam a base da sua vida cotidiana, conscientes disso ou não.
Com um semblante sempre fechado nas entrevistas coletivas, o técnico da Nigéria, Stephen Kesh, abriu um sorriso ao falar dos “ares de Salvador” e do apoio que espera receber nesta quinta-feira (hoje), na Fonte Nova. “– Costumo viajar pelo mundo inteiro e aproveitar o ambiente de cada cidade que passamos. É bacana saber dessa ligação. Esperamos, então, que isso nos ajude bastante e todos possam torcer pela seleção da Nigéria nesta partida. –”.
Em setembro de 2008, o governo nigeriano abriu a "Casa da Nigéria" ou "Nigeria House", no bairro histórico do Pelourinho de Salvador, Bahia, com o apoio dos governos da Bahia e do Brasil. A casa, localizada no interior de uma antiga senzala no n º 26 da rua Alfredo Brito, está localizada em uma área de Salvador que por muito tempo serviu como um centro cultural e econômico do Brasil. Em particular, essa praça é denominada praça do Pelourinho em funçao do instrumento de tortura de mesmo nome usado para punir publicamente os "escravos rebeldes". Porém, a despeito dos horrores da escravidão estamos vivendo uma fase marcante das Relações Brasil-Nigéria, desde 2008, ou seja, uma nova fase de combate ao racismo no Brasil coincide com um aumento do interesse da população brasileira como um todo pela  História da África, e da população baiana em particular pela Nigéria. É notório, entretanto, o fato da lei 10.639/2003 (que é a lei que torna obrigatório o ensino de História e Culturas Afro-brasileiras em todas as escolas brasileiras, públicas e particulares, do ensino fundamental até o ensino médio, e que inclui o Dia da Consciência Negra no  calendário escolar) até agora, “não ter pegado”.
As novas Relações Brasil-Nigéria ainda mantém no foco principal a identidade  cultural. O que nos parece, é que finalmente, a herança étnica e cultural legada a uma boa parte da população brasileira afrodescendente que ligam sua ascendência e práticas religiosas a Nigéria, está sendo vista com lentes menos racistas e preconceituosas. Aí, na esteira dessa “abertura”, nos vem uma observação curiosa: Por que sendo a Nigéria um importante fornecedor de petróleo para o mundo, estando o Brasil no curso de se tornar importante produtor nessa área graças aos programas do pré-sal, não temos um intercambio mais efetivo de tecnologia e geração de oportunidades para jovens dessas duas Nações?

Referencias:

1.      O que é a lei 10.639/2003?; Turminha do MPF; Disponível em: (acessado em: 20/06/2013);
2.      Brazil-Nigeria Relations; Disponível em: http://en.wikipedia.org/wiki/Brazil%E2%80%93Nigeria_relations (acessado em: 20/06/2013);
3.      “Pré-jogo: Nigéria aposta em ´ar negro´ de Salvador para eliminar Uruguai e confirmar vaga”; Disponível em: http://copadomundo.uol.com.br/especiais/copa-das-confederacoes/jogos/pre-jogo/2013/06/20/nigeria-aposta-em-ar-negro-de-salvador-para-eliminar-uruguai-e-confirmar-vaga.htm  (acessado em: 20/06/2013);
Fotos Casa da Nigéria 2012.

Sunday, April 28, 2013

O “1º Curso de Comunicação Inglesa na Casa da Nigéria 2013” terá início em junho



A Casa da Nigéria convida a todos os interessados para estudar Comunicação Inglesa. O detalhe importante é:

VOCE SÓ PAGA A INSCRIÇÃO NO VALOR DE R$50,00 (CINQUENTA REAIS). A MENSALIDADE É GRÁTIS!

O Inglês Internacional é o conceito do idioma Inglês como um meio de comunicação global. Ele também é conhecido como Inglês Global, Inglês Mundial, Inglês Comum, Inglês Intercontinental, e por aí vai. Na maioria das vezes, estes termos se referem simplesmente a matriz da grande variedade de formas do Inglês falado em todo o mundo.
A Casa da Nigéria é uma organização cultural sem fins lucrativos e mantida pela Embaixada da Nigéria no Brasil que atende aos objetivos relativos ao resgate oficial da identidade Afrodescendente de uma grande parte da população brasileira em geral, com especial foco na população de origem afrodescendente na Bahia, ao tempo em que atualiza o contexto das relações cada vez mais estreitas entre o Brasil e a Nigéria. Esses dois países situados em lado opostos do oceano Atlântico desempenham em suas respectivas regiões globais de localização geográfica, papeis de liderança nos conjuntos de nações que lhes fazem fronteira enquanto notórios receptáculos de suas respectivas capacidades de influência. A República Federativa da Nigéria, tomando como ponto de partida a sua afinidade étnica com boa parte do povo brasileiro, tem desenvolvido um programa através da sua representação cultural sediada na Casa da Nigéria, que tem com principal objetivo apoiar o afrodescendente brasileiro na sua luta pelo resgate das suas raízes africanas em prol do pleno gozo da sua cidadania brasileira. Através da sua experiência cotidiana característica, corroborada pela sua posição demográfica no ranking das Nações, como o país com a maior população negra do mundo, no clima de cooperação mútua ensejado particularmente pelo evento da Copa das Confederações com início em Junho de 2013, quando a Nigéria virá para a competição, a Casa da Nigéria lança o seu “1º Curso de Comunicação Inglesa de 2013”, com vistas a auxiliar os nossos irmãos afrodescendentes ou não a melhor desenvolverem as suas capacidades de comunicação internacional em Inglês, dentro do espírito de empreendedorismo que caracteriza o povo baiano desde os primeiros dias de vida da Nação brasileira aqui nessa terra de São Salvador.
O “1º Curso de Comunicação Inglesa de 2013” será desenvolvido durante os meses de Junho a Setembro (quatro meses) desse ano de 2013, e será dividido em dois níveis. Os iniciantes e os intermediários. Os iniciantes terão aulas às sextas-feiras das 18h00min as 20h00min e os intermediários terão aulas aos Sábados das 14h00min as 16h00min. Os níveis dos alunos serão avaliados no momento da inscrição (obrigatoriamente presencial).
As aulas em todos os níveis serão ministradas por professores bilíngues de comprovada experiência internacional.
 A primeira aula será ministrada ao grupo de iniciantes e acontecerá na Sexta-feira dia 7 de Junho de 2013, as 8h00min
As vagas são limitadas, e o preenchimento obedecerá ao critério “first come, first served” (os primeiros a chegar terão ao preferencia) por isso venha logo garantir a sua!
Informações no local, Rua Portas do Carmo, 26, Pelourinho, próxima a Fundação Casa da Jorge Amado,ou pelos telefones: (71) 3326 2021/8644 7753.

 ATENÇÃO: EM CASO DE DESISTÊNCIA A TAXA DE INSCRIÇÃO NÃO SERÁ DEVOLVIDA.

Professor Oyewo Mojeed Oyebamiji
Coordenação da Casa da Nigéria

Imagem: Acesso: invertia.terra.com.br  (acessado em: 28/04/13)

Monday, April 22, 2013

Oríkì – A tradição Iorubá da palavra de encorajamento como sinal de respeito




“Oríkì jẹ awọn ọrọ ìşírí ti awọn Yorubá máa nfi yin ara awọn tabi ẹni ti inu wọn ba dun si”.
Ou em uma tradução aproximada: O Oriki é um texto usado para enaltecer (encorajar) e evidenciar virtudes.
 Essa frase dá inicio ao capítulo de título “Lição 7” (è̟kó̟ kẹfà) de um dos livros mais importantes já produzidos sobre o processo cultural Iorubá, o livro “Àwọn Àşà ati Òrìşà ilẹ Yoruba” (Tradições e Orixás da Terra Iorubá). Esse livro escrito pelas mãos do Dr. Olu Daramola e do Dr. Adebayo Jeje, teve a sua primeira edição publicada em 1967 e desde então suas reedições vem se sucedendo ano após ano em função da riqueza de detalhes do seu conteúdo, do qual a menção sobre a tradição do Oriki é apenas uma pequena parte.
Página incontornável da leitura do modo de vida Iorubá, o Oriki é construído sob várias formas, sendo que cada uma delas está associada ao status do homenageado.Para saudar um Rei, por exempo, a forma de construção do Oriki se fundamenta na “evidencia do seu poder” tanto material quanto espiritual.
Note-se o fraseado no seguinte Oriki para um Rei:

“Kábíyèsí Ǫba ´lúwayé
Ộdúndún asò ´de d´ẹ̀rọ̀,
Ǫba adé kí-ilé-r´ójú,
Ǫba adé-kí-ọ̀nà rọrún
Árówólò bi Oyinbó,
O fi´le wu ni,
O f´ ọ̀nà wu ni.
Ogbìgbà ti ngba ará àdúgbò,
Ǫba at´áyé-rọ bi agogo”.

Uma tradução aproximada:

Sua Majestade real,
Sua majestade é amplamente visível
A sua coroa a tudo cobre e conforta
És tão inesgotável quanto os europeus
(Teu poder) aumenta a terra,
(Teu poder) aumenta os caminhos
Senhor que alcança a todos como o (som do) sino

 A nossa visão europeizante de cultura patrocina uma restrição cruel e pouco inteligente no que toca a classificação dos povos, rotulando como “inferiores” aqueles cuja cultura tem como base a tradição oral ou não escrita. A medida que a globalização avança espalhando benefícios e vícios, atitudes de desprezo pelo rico legado oral deixado pelos nossos antepassados estão contaminando a educação moderna de povos donos de importantes legados para a história da conastrução da humanidade como a conhecemos hoje, e as culturas africanas estão entre as mais afetadas por essas “modernas influencias” notadamente as de cunho “euro-cristãs”.
 O “Oríkì é um importante gênero cultural oral da literatura Yoruba o qual é geralmente utilizado para cantar louvores a quem ou o que quer que seja. O Oriki é utilizado durante as cerimônias individuais ou comunitárias, tanto para enaltecer indivíduos quanto a comunidade. Os Iorubás tem Oriki para quase tudo o que existe no seu ambiente;para os animais; para as plantas;etc.; ou seja, existem Orikis para seres animados e para coisas inanimadas. O Oriki expressa uma definição completa do homenageado. Por exemplo, fala da nobreza, da origem, da fama, da profissão, das conquistas, crenças, hábitos alimentares, da disciplina, só para mencionar alguns itens. Enquanto os bravos heróis, e os guerreiros em uma comunidade tem “Oríkì” com que são identificados, os traidores dos compromissos com uma comunidade também têm os seus Oríkì.Vale notar a recorrencia desse último tipo de genero literário de “homenagem” na cultura brasileira, no qual Cuíca de Santo Amaro e a sua prática de infernizar os expoentes da sociedade baiana expondo publicamente suas traições e currupção, é o expoente maior.
No entanto, os dias de glória do Oriki parecempertencer ao passado, visto que a maioria dos jovens Iorubás não estão mais informados ou interessados ​​no gênero cultural. Em uma série de entrevistas sobre esta reviravolta cultural citadas na edição de hoje (19 de bril de 2013) do jornal Nigerian Tribune, na sua edição online, destaco as seguintes opiniões: O jornalista Modupe Akinyooye da cidade de Ondo, Estado de Ondo. Ele alegou que o problema é que muitos não estão realmente interessados ​​em oriki porque seu conhecimento da língua (Iorubá) é superficial. A barreira da língua é um corolário do fato de que a maioria dos pais estão educando os seus filhos em Inglês”: Na opinião da Princesa Olobe, uma executiva do mundo da informática computador, "o mundo tornou-se sofisticado.O Oriki não é mais útil. Ela nos ensina uma sabedoria, nas quais as pessoas não acreditam mais ...Olorunsogo (Deus tem feito maravilhas)... Se alguém canta seu Oriki, é porque desejam recolher algo de você, assim como os músicos fazem. “Oriki agora é inútil”: Na opinião Adepoju Fausat, uma estudante de comunicação de massa no Politécnico em Ibadan, Estado de Oyo, “a maioria dos jovens não estavam interessados ​​em oriki porque a maioria (de nós) não vive em nossas cidades natais, e os nossos pais não nos ensinam Oriki. Talvez porque eles acham que não é importanteQuestionada, no entanto, por que ela era capaz de recitar o Oriki de Ofa, sua cidade natal, ela respondeu sem rodeios, que Minha avó me ensinou”: enquanto Nafisat Azeez, uma colega dela, associou o descaso pelo Oriki ao que ela chamoufalta de educação cultural dos jovens”. Por enquanto, o Oriki vive, porque se você vai para o governo local para obter o Certificado de Origem, você será solicitado a recitar Oiki da sua cidade, ela completou.

Referencias:

1  1.   What is oriki?; Orikiwa: Acesso: http://orikiwa.wordpress.com/2012/01/06/hello-world/  (acessado em: 19/04/2013)
    2.  Fasiku, G.; Yoruba names, proverbs and National Consciousness; Department of  Philosophy, Obáfémi Awólọ́wọ̀ University, Ilé-Ifè The Journal of Panafrican Studies, vol. 1, no. 4, June 2006 (http://www.jpanafrican.com/docs/vol1no4/YorubaProverbsNamesAndNationalConsciousness_JPASvol1no4.p

3. Aowlaja, A.;Nigerian Trubune; Yoruba oriki: A dying cultural genre? Friday, April 19, 2013; Acesso: http://tribune.com.ng/index.php/features/13508-yoruba-oriki-a-dying-cultural-genre  (acessado em: 19/04/2013)

4.      Imagem: Yoruba oriki: A dying cultural genre? Friday, April 19, 2013; Acesso: http://tribune.com.ng/index.php/features/13508-yoruba-oriki-a-dying-cultural-genre  (acessado em: 19/04/2013)